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Entrevista a Vera Vilaça – Conhece Melhor esta Atleta Portuguesa

Nasceu na Amadora e depois de passar pela natação e pela ginástica, experimentou triatlo, por sugestão dos pais, e apaixonou-se. Era uma criança ativa e rapidamente se habituou à rotina de nadar, pedalar e correr todos os dias. Durante os seus anos no triatlo de formação foi Campeã Nacional em todos os escalões e foi pela primeira vez à Seleção Nacional em 2013, ainda como juvenil.

Em 2013 mudou-se para a Suécia com a família e teve que enfrentar o desafio de treinar apenas com o irmão, num país frio e com poucos praticantes da modalidade. Durante os seus 4 anos como júnior, representou Portugal em inúmeras competições internacionais. Em 2017, entrou para o curso de Medicina na Universidade Nova de Lisboa e decidiu voltar para Portugal para investir nos seus 2 sonhos: Ir aos Jogos Olímpicos e ser médica. Depois de 3 anos de grande evolução e alguns títulos, em 2020 sagrou-se Campeã Nacional pela primeira vez.

Estivemos há conversa com esta grande atleta portuguesa, Vera Vilaça.

Z: O que significa o triatlo para ti?

V.V.: O triatlo para mim é uma grande paixão que comecei a fazer aos 8 anos e que aos poucos e poucos me fui apaixonando pela modalidade, por gostar muito do desporto, do ambiente e de competir. A partir de uma certa idade, em que as coisas se começam a tornar mais sérias e existe menos brincadeiras, acaba por ser mais um trabalho. Foi aí que acabou por ter essa dualidade de poder fazer quase profissionalmente o desporto que gosto tanto, o triatlo.

Z: Quando te apercebeste que poderias chegar a um nível profissional?

V.V.: Sempre tive muito jeito para o triatlo. Entrei em 2006 e em 2007 fui logo campeã nacional do meu escalão e portanto habituei-me sempre a estar no nível mais alto que havia, mesmo sendo na altura algo mais na brincadeira . Sempre gostei muito de ver os outros atletas, os profissionais, nomeadamente a Vanessa Fernandes que era o meu grande ídolo, tinha posters dela no meu quarto. Logo que aos 15 anos tive a oportunidade de ir para a seleção nacional fiz de tudo para entrar. É a partir daí que as coisas se vão tornando mais profissionais. Não foi algo que aconteceu ou que me apercebi de um dia para o outro. Foi algo para o qual sempre fui treinando, dedicando e que ao longo do tempo fui tendo bons resultados e que surgiu a oportunidade de continuar a fazer triatlo paralelamente ao resto da vida.

Z: Como descreves a tua rotina?

V.V.: Eu treino entre 4 a 6 horas por dia, dependendo muito dos dias e da fase de treino. Normalmente, em fases com mais treino, mais intensidade, cerca de 30 horas de treino por semana. Em fases mais de competição, como estou agora, para lá das 20 horas por semana.

No meu dia-a-dia tento dormir sempre entre 8 e 9 horas, para me sentir bem e me manter saudável. Normalmente, acordo e o meu dia é todo passado ou a treinar, ou nas aulas, ou a estudar, acabo por chegar a casa tarde. Não dá tempo para mais nada.

Z: Como se consegue conjugar o curso de medicina com o triatlo de competição?

V.V.: É com muita organização. Digo que o triatlo é a minha paixão e a medicina é a minha outra paixão. Sempre quis ser médica, desde que me lembro, e, também, tal como com o triatlo, que logo que tive oportunidade dediquei-me, com a medicina aconteceu o mesmo. Sempre tentei ser boa aluna e sempre me dediquei muito à escola, porque tinha este objetivo de ser médica. E agora tenho a oportunidade de estar a viver os meus dois sonhos: de ser triatleta e de estar a estudar medicina.

Como faço isto por gosto não me custa ser organizada e passar dias inteiros a treinar e a estudar. É muita organização e ter a noção de que não tenho tempo para outras coisas e que tenho mesmo que me dedicar.

Z: O que gostas de fazer quando tens tempo livre?

V.V.: Há muito pouco tempo livre, mas tento principalmente guardar algum tempo para a minha família e para os meus amigos. Sou uma pessoa que não gosta muito que dizer que não e se alguém me convida para ir jantar ou a alguma coisa do género, tento sempre arranjar maneira de estar com toda a gente, manter alguma vida social, mas acaba por ser pouco tempo. Em casa quando tenho algum tempo livre, gosto de relaxar, ver um filme. Confesso que ver Netflix é assim o meu hobby.

Z: Que cuidados tens com a alimentação?

V.V.: A minha alimentação é muito pensada e muito cuidada.  Ao treinar muito é preciso comer bem, tanto em termos de qualidade como de quantidade, portanto tenho muito cuidado em ter uma alimentação muito variada e equilibrada.

Z: Que comida/alimento não pode faltar no teu dia-a-dia?

V.V.: Logo após o treino gosto muito de tomar um batido de proteína, na meia hora a seguir ao treino. Isso é muito, muito importante, para começar logo a recuperar e não deixar défices, nem me deixar com fome, para depois não cair na tentação de comer outras coisas que não sejam tão boas. E, claro, nunca pode faltar frutas e legumes e tudo isso que para mim é muito importante.

Z: Quando se aproxima uma prova importante, que ajustes fazes?

V.V.: Quando entro numa fase mais competitiva passo a ter um trabalho extra, para ficar um pouco mais leve e mais pronta para as provas, mas sempre tendo em conta que preciso de energia, tato para treinar como para competir. Portanto tento sempre manter os níveis de energia altos e cortar em tudo o que sejam aqueles extras, aqueles doces, que posso ter noutras alturas que não sejam tão importantes. Para as provas tenho mesmo que ter no meu corpo só aquilo que me vai ser útil no momento da prova.

Z: Em 2013, representaste primeira vez a Seleção Nacional. Como te sentiste?

V.V.: Foi um grande orgulho. Era muito nova, tinha 15 anos, foi mesmo a minha primeira oportunidade. Adorei desde o início, receber os equipamentos da seleção nacional (que sempre quis), depois ir com a comitiva para uma prova internacional e depois competir na prova em si, que acabou por correr muito bem. É uma prova para juvenis e toda a gente que lá está, que participa, é muito nova e está nas primeiras provas. Foi uma sensação incrível, um sonho tornado realidade.

Z: Foi também em 2013 que te mudaste para a Suécia com a tua família, quais os maiores desafios que enfrentaste na altura?

V.V.: Nunca pensei em deixar de fazer triatlo, mas percebi logo que ia ser muito complicado. Quando cheguei à suécia, apercebi-me que não havia tantos triatletas na suécia. O triatlo, principalmente de pessoas mais jovens, é muito muito pequeno lá. Acabei por ter que encontrar outro caminho. Tive a sorte de que me mudei para a Suécia com o meu irmão, que também faz triatlo e portanto podíamos estar juntos a treinar. Também me juntei a um clube de natação, clube de ciclismo e a um clube de corrida e fui conjugando para ir mantendo o triatlo. Foi difícil inicialmente encontrar meios e clubes onde treinar, mas depois fui-me adaptando.

Z: Qual foi a sensação de quando te sagraste Campeã Nacional pela primeira vez em 2020? Era algo que já ambicionavas há algum tempo?

V.V.: Foi incrível, era algo que sempre ambicionei. Pela primeira vez, foi um ano que, quando eu escrevi os meus objetivos no início da época, escrevi que queria ser campeã nacional de distancia olímpica. Entretanto veio uma pandemia que mudou tudo, muitas provas foram canceladas, as datas foram alteradas… Tive que estar a treinar sozinha durante muitos meses, sem acesso a piscinas e às instalações normais e a sensação de ter conseguido ultrapassar isso tudo, chegar lá no dia e fazer uma prova exatamente como ambicionava e ser campeã nacional foi muito boa.

Z: Tens alguém que te inspire? Porquê?

V.V.: A Vanessa Fernandes é a triatleta em quem me inspiro. Apesar de já não competir, continua a ser a melhor triatleta de sempre, no mundo inteiro. Quando se fala de triatlo em Portugal qualquer pessoa sabe quem é a Vanessa Fernandes e pensam nela.

Ela estava no topo da carreira quando eu iniciei o triatlo e sempre que a via, para mim era incrível. Era o meu ídolo. Tenho uma sorte enorme de hoje em dia poder dizer que sou amiga dela. Se tenho algum problema, alguma dúvida posso-lhe perguntar e ela ajuda-me, como já me ajudou bastante.

Z: Quando tens algumas duvidas em termos de performance e tudo mais a quem recorres ao nível do triatlo?

V.V.: Em termos de performance recorro sempre ao meu treinador, Lino Barruncho. Tem uma experiência enorme. É quem me diz o que é que eu faço. Cumpro o treino que ele me diz e acredito a 100% naquilo que ele me recomenda e me manda fazer. Assim é muito mais fácil para o atleta, ser só fazer aquilo que está escrito.

Por outro lado, tenho apoio da parte psicológica: a minha família, os meus pais. Quando tenho algum problema, quando estou desmotivada, dão-me sempre aquela força para continuar.

Z: Qual o teu maior sonho a nível profissional?

V.V.: O meu sonho é ir aos jogos olímpicos, é para isso que estou a treinar. Estou mesmo focada nos jogos olímpicos em Paris, em 2024. Depois disso o meu sonho é ser médica. É o que eu sempre quis: ser uma médica olímpica. Talvez, quem sabe, depois trabalhar com atletas, que é uma área que me interessa muito. É nisto que estou focada neste momento.

Z: Que conselhos darias a crianças e jovens que queiram conjugar o desporto federado com uma carreira profissional numa área totalmente distinta?

V.V.: Aconselho a todas as crianças a escolherem um desporto que gostem, que se juntem a um grupo com outras pessoas e que se divirtam a treinar, independentemente do desporto que seja e onde quer que seja. A parte profissional só vem depois, mais tarde, por volta dos 15, 16 anos. Só a partir daí é que é preciso começarem-se a concentrar em mais aspetos, como a questão da nutrição e do equipamento. Mas acho que, enquanto se é jovem, o importante mesmo é ser feliz, aproveitar e fazer o desporto por prazer, porque, fazer desporto, é espetacular, muito divertido e só faz é bem.

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